Pérolas de sabedoria

“Atear fogo ao céu e apagar as chamas do inferno!”

18 de setembro de 2017

A sábia Rabi ‘a al-Basri, da tradição sufi, costumava dizer que iria atear fogo ao céu e apagar as chamas do inferno para que as pessoas parassem de servir a Deus por medo ou interesse. Em outras palavras, devemos cumprir o Dharma pelo Dharma, não para ganhar alguma outra recompensa ou para escapar de algum castigo.

De fato, a propensão a amar e servir está sempre presente na alma, é nossa natureza intrínseca, nosso Dharma eterno.  Portanto, servir a Deus e ao próximo é mais uma questão ontológica do que uma escolha moral. Ou seja, não o fazemos para evitar ferir um preceito ético, mas simplesmente porque é natural e faz bem para a alma.

Decerto existem condições que obstruem nossa propensão amorosa, como o egoísmo, a cobiça, a luxúria, etc. Mas uma vez que essas condições doentias da alma são tratadas, o amor flui naturalmente e se expressa em atitude de serviço desinteressado que busca apenas “fazer o bem, sem olhar a quem”.

Outro santo que orou de maneira semelhante foi o Rei Kulashekhara, do sul da índia:

nāhaṁ vande tava caraṇayor dvandvam advandva-hetoḥ
kumbhīpākaṁ gurum api hare nārakaṁ nāpanetum
ramyā-rāmā-mṛdu-tanu-latā nandane nāpi rantuṁ
bhāve bhāve hṛdaya-bhavane bhāvayeyaṁ bhavantam

Ó Senhor, não  é para me livrar das dualidades da existência material ou para escapar do terrível sofrimento do inferno que eu adoro Seus pés-de-lótus. Tampouco almejo desfrutar desfrutar de prazeres celestiais no paraíso. Apenas oro para que vida após vida eu possa sempre meditar em você no templo do meu coração. [Mukunda-Mala-Stotram 4]

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