Pérolas de sabedoria

Como viver o Dharma

21 de setembro de 2017

Como a ave que encontra uma corrente de ar ascendente paira cada vez mais alto no céu sem precisar bater suas asas, quem alinha sua vida com o Dharma consegue alcançar seus propósitos com naturalidade, sem fazer muito esforço. Como isso é possível?

Viver o Dharma é essencialmente saber expressar aquilo que somos, é a arte de responder apropriadamente a cada situação que a vida nos apresenta. Esse Dharma se reflete nas várias dimensões da nossa existência: corpórea, emocional, vocacional, relacional e espiritual. É dito que na verdade não somos seres humanos buscando uma experiência espiritual, mas seres espirituais passando por uma experiência humana. Portanto, as atividades de cada uma dessas esferas da vida deveriam todas ser orientadas pelos valores da dimensão espiritual. Em outras palavras, quando a execução dos nossos deveres em cada dimensão da vida contribui para a elevação da nossa consciência, isso indica que estamos alinhados com o nosso Dharma.

A busca desse equilíbrio na vida nos ajuda a superar crises existenciais, quadros de depressão, problemas com ansiedade, insônia, etc. Mais do que isso, estar bem situado no Dharma gera grande entusiasmo pela vida e nos ajuda a desenvolver plenamente o nosso potencial latente. Tendo encontrado seu caminho e seu lugar no mundo, a pessoa contribui de forma significativa para a sociedade e em retorno recebe todo o apoio de que precisa. É como uma ave que encontra correntes de ar quente e assim consegue pairar cada vez mais alto, quase sem fazer esforço. Aliás, a palavra dharma vem da raiz sânscrita dhṛ que traz a ideia de sustentar, manter, firmar, preservar. Viver assim, alinhado com um plano maior, gera um profundo sentimento de satisfação e bem-estar.

Como podemos então descobrir nosso dharma? Primeiramente, devemos estar cientes da natureza sutil e dinâmica do Dharma. Não é possível defini-lo com palavras nem mesmo codificá-lo através de um conjunto de regras. Assim como podemos ouvir e dançar ao som de uma bela música, podemos viver em harmonia com o Dharma. Para alcançar a compreensão que permite essa sintonia, sugiro duas abordagens principais:

  1. O estudo de textos consagrados que discutem o Dharma e temas correlatos.
  2. A meditação, que proporciona uma percepção suprarracional de quem somos.

O estudo nos poupa muito tempo pois nos permite acessar as reflexões filosóficas e os insights espirituais de grandes mestres que se debruçaram sobre o assunto ao longo de milênios. A meditação nos coloca em um estado de consciência mais propício para que possamos assimilar esse conhecimento, além de fazer brotar essa compreensão sobre o Dharma diretamente de dentro do nosso coração. O primeiro processo é racional, o segundo é místico. Ambos se complementam para promover o autoconhecimento, o que por sua vez pode agregar imenso valor e propósito à nossa existência.

 

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