Pérolas de sabedoria

Cultivando o jardim interior

16 de setembro de 2017

Podemos comparar nosso coração a um jardim onde todo tipo de planta pode crescer. Cultivar o Dharma seria, portanto, como cuidar desse jardim: precisamos afofar a terra, adubar, plantar boas sementes, regá-las diariamente e arrancar as ervas daninhas. Assim, nosso jardim interior floresce e a fragrância de suas flores permeia nosso coração revelando sutilmente a beleza e harmonia que envolvem o nosso ser.

Na literatura védica, o mestre espiritual também é muitas vezes comparado a um jardineiro pois sua função é preparar o coração do discípulo (afofar a terra) e semear a bhakti-lata-bija, ou a semente do amor a Deus. Além disso, o discípulo é instruído a seguir um processo de sadhana, ou cultivo espiritual, que corresponde a regar essa plantinha diariamente. Finalmente, certas atividades e atitudes prejudiciais à vida espiritual devem ser evitadas, o que pode ser comparado a arrancar as ervas daninhas que ameaçam sufocar a plantinha da devoção.

Essa analogia aparece em um texto medieval da Índia chamado Caitanya-caritamrta:

brahmāṇḍa bhramite kona bhāgyavān jīva
guru-kṛṣṇa-prasāde pāya bhakti-latā-bīja

“Após vagar durante muitas vidas por diferentes partes do universo, uma pessoa afortunada recebe a semente do amor a Deus pela graça do mestre espiritual e do próprio Senhor Supremo (Krishna).” [Cc Madhya 19.151]

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