Mantras

Mantra “Oṁ Namo Bhagavate Vāsudevāya”

14 de março de 2019

Este é um poderoso mantra encontrado na abertura de um dos textos mais importantes da Índia, o Bhāgavata Purāṇa. No decorrer do texto, o sábio Nārada também instrui o virtuoso (e ambicioso) prícipe Dhruva a meditar nesse mantra para primeiramente satisfazer suas metas mundanas e, porfim, alcançar a mais sublime perfeição espiritual. Aliás, essa narrativa responde uma questão muito interessante: “Quem pode cantar mantras?” ou, mais amplamente “Quais são as qualificações para empreendermos uma busca espiritual?”

O mesmo Bhāgavata Purāṇa explica:

akāmaḥ sarva-kāmo vā mokṣa-kāma udāra-dhīḥ tīvreṇa bhakti-yogena yajeta puruṣaṁ param

“Quer tenha sublimado todos os seus desejos, quer esteja tomada de desejos, quer esteja interessada em garantir sua própria salvação, a pessoa de inteligência aguçada empenha-se em bhakti-yoga, adorando o Senhor Supremo com intensa dedicação.” (BhP 2.3.10)

Ou seja, a busca espiritual é uma prerrogativa de todo ser humano e qualquer pessoa pode se beneficiar recitando mantras. Independentemente de nossa qualificação ou prática anterior, o mantra tem o poder de nos conduzir a partir do ponto onde estamos numa senda ascendente de realizações espirituais. Mas vejamos a tradução desse mantra em particular – Oṁ Namo Bhagavate Vāsudevāya – que é tão profunda e significativa:

Oṁ – é o bīja-mantra ou a “semente” que precede os mantras védicos. Na verdade a sílaba Oṁ é a fusão de três elementos (A + U + Ṁ). O som “A” é formado no início do nosso aparelho fonador e representa o princípio criador; o som “U” é formado pela aproximação dos lábios (parte final do aparelho fonador) e representa conclusão ou fechamento. O som “Ṁ” (com esse pontinho acima) é a nasalização dos sons vocálicos anteriores que se produz na cavidade bucal e nasal, preenchendo toda a região compreendida entre o “A” e o “U”. Ou seja, o som de AUM ou Oṁ é a representação sonora do Absoluto, que inclui o início, fim, e meio de todas as coisas.

Namo – é a contração da palavra namas e significa “reverência” ou “saudação”. A partir daí é formada também a palavra “namas-te”, literalmente “eu te reverencio ou te saúdo”.

Bhagavate – a terminação em “e” indica que a saudação é direcionada “a Bhaga-vat”, onde bhaga significa fortuna, opulência, virtude, glória, etc., enquanto que vat indica o possuidor. Ou seja, por ser a origem e o possuidor último de tudo o que existe, o Senhor Supremo é chamado de Bhagavat.

Vāsudevāya – a terminação “aya” indica “a Vāsudeva”, um nome de Krishna que significa que ele é filho de Vasudeva (em sânscrito, para indicar a origem de algo ou alguém, acrescenta-se a letra “a”. Assim Krishna, o filho de Vasudeva, escrito com “a”curto, é chamado Vāsudeva, com “ā”longo). Mas deva significa Deus/divindade e vasu significa luz, esplendor, energia. Já a palavra vāsu (com ā longo) pode ser traduzida como onipenetrante. Além disso, a raiz sânscrita vas indica residência. Em resumo, podemos explicar esse nome de Krishna, Vāsudeva, como “Aquele que vive em toda parte e que é a origem de todas as potências materiais e espirituais”.

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1 Comentário

  • Reply Robson Luis Costa 3 de agosto de 2019 at 06:02

    Parabéns pelo seu lindo trabalho e dedicação. Que a Deusa Sarasvati sempre abençoe seus estudos.

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