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mindfulness

Pérolas de sabedoria

Colocando cada coisa no seu devido lugar

18 de setembro de 2017

O universo é perfeito e tudo tem alguma razão de ser dentro da criação. Portanto, espiritualizar a vida não é negar o mundo, mas saber alinhar tudo – posses, habilidades, relacionamentos, etc. – dentro de um propósito superior.

Por exemplo, se eu entendo que tudo emana de Deus, que mesmo esse computador no qual estou escrevendo é feito de energia divina e graças à inteligência dada por Deus ao ser humano, então posso utilizar esse recurso tecnológico que tenho em minhas mãos para um propósito benéfico.

Se tenho propensão a estudar e a ensinar, posso direcionar isso para aprender e transmitir coisas boas que possam gerar verdadeira felicidade para mim e para os demais.

E se percebo cada ser vivo ao meu redor como uma centelha espiritual, como um ser divino que tem um propósito neste mundo tanto quanto eu tenho, então posso lidar com cada pessoa, animal ou planta respeitando sua individualidade, sua condição de sujeito.

A exploração ocorre quando despersonalizamos os outros seres. O único antídoto para isso é reconhecermos o valor de cada ser como agente espiritual, como filho de Deus que merece viver e ser feliz como todos os demais.

Sobre isso, a Sri Isopanisad 6 diz:

yas tu sarvāṇi bhūtāny ātmany evānupaśyati
sarva-bhūteṣu cātmānaṁ tato na vijugupsate

Aquele que sempre vê todos os seres na Alma Suprema, bem como a Alma Suprema em todos os seres, jamais odeia qualquer criatura. [Iso 6]

Pérolas de sabedoria

Viver o Dharma é dançar em harmonia com a vida

18 de setembro de 2017

Assim como a música e a dança estão baseadas em princípios de harmonia universais, mas se manifestam diferentemente em cada cultura, o Dharma é a expressão da verdade universal (rta), que se manifesta distintamente em cada religião. Assim como não há uma “maneira certa” de dançar, não há uma única forma de viver o Dharma. É preciso apenas acalmar a mente para conseguir ouvir a orquestra cósmica e depois deixar a música te levar.

Devemos também lembrar que a Verdade última não é um objeto estático para ser contemplado ou possuído, mas pura consciência dinâmica. O Dharma, assim como a música, não pode ser apreendido pela razão ou capturado por uma câmera fotográfica, mas pode ser “ouvido” e “dançado” por aqueles que conseguiram se sintonizar à divina sinfonia.

Refletindo sobre a música divina que permeia o universo, o poeta indiano Rabindranath Tagore escreve:

A luz da tua música ilumina o mundo. O sopro vital da tua música corre de céu em céu. A sagrada torrente da tua música rompe todos os obstáculos de pedra e jorra. (Gitanjali 3)

Não é à toa que a imagem suprema da perfeição espiritual segundo o Bhagavata Purana, um dos textos mais reverenciados da Índia, é a divina dança circular das gopis com Krishna. Essa dança representa o estágio mais sublime de amor a Deus, quando a alma se une ao seu amado Senhor despojada de qualquer vestígio de ilusão material.